Shania Who?

Shania Twain é cantora, compositora, produtora, atriz e escritora canadense, e um dos grandes nomes da música country no mundo todo. Atualmente possui seis álbuns que, juntos, ultrapassam 100 milhões de cópias vendidas.

Shania Twain fala sobre as tragédias que a levaram ao sucesso

Após 15 longos anos de pausa na carreira, Shania Twain lançou no ano passado o álbum “Now”, que liderou as paradas e foi bem recebido pela crítica em geral. A cantora, que segue em turnê para a divulgação do disco até o final do ano, assumiu um novo papel neste ano, como mentora no novo reality show de competições, “Real Country”, onde ela usará suas décadas de experiência para ajudar artistas country amadores a encontrar o seu sucesso.

O site CountryLiving.com conversou com Twain durante as gravações do programa em Nashville, nos EUA, em agosto deste ano. A superestrela contou um pouco mais sobre o que aprendeu enquanto estava longe da indústria musical, os tipos de artistas que ela espera apoiar e como enfrentou as adversidades durante os vinte e poucos anos.

Confira abaixo a entrevista traduzida:

O que você aprendeu durante a sua pausa da música?

Houve uma regressão na diversidade de gêneros dentro da música country. Temos menos mulheres, temos menos de tudo, e é quase como se eu tivesse ido embora e o progresso para o qual eu contribuí tivesse ido embora comigo. Então, eu estou de volta! Eu estive na indústria há 45 anos, e acho que agora sei o que o público quer, então estou aqui para agradar o público, não para agradar a indústria. Eu quero ir lá e fazer músicas que se conecte com as pessoas, e quanto mais, melhor, eu acho que estamos precisando de alguma mudança nesta indústria, e precisamos de alguns nomes mais fortes.

O que te levou quando você estava começando?

Eu acho que quando você está começando, sua convicção e sua determinação têm que ser hiper, porque você vai enfrentar muitos obstáculos. Para mim, eu não tinha nenhum lugar para voltar, não tive outra escolha senão fazer isso, e essa foi minha vantagem em alguns aspectos. Eu não desejo isso a ninguém, porque é algo realmente desafiador para ter que passar em seus vinte e poucos anos, mas eu não tinha pra onde voltar. Meus pais tinham ido embora, eu não tinha apoio da família, a maioria dos meus irmãos eram mais jovens e dependentes de mim ainda, eu não tinha dinheiro, nem base, não tinha nada, então não havia outra escolha senão fazer isso. Há uma convicção de que você realmente precisa. Então, tudo o que estou dizendo é: encontre o que quer que o leve, segure-se nisso e pedale até o metal.

Qual é o seu objetivo com o Real Country?

Eu quero fazer a diferença, e eu quero encorajar diferentes. Estou aqui como uma defensora e uma animadora de torcida de artistas que têm a coragem de serem eles mesmos, e de serem únicos, e de não querer agradar a indústria e eu estou procurando o mais alto padrão de qualidade, o que não significa necessariamente que eles são os mais extraordinários vocalistas. Nós temos tantas lendas que não são conhecidas por suas proezas vocais ou seu alcance vocal, então eu estou procurando mais por estilistas e grandes comunicadores, e pessoas que têm convicção por trás de seu estilo e não hesitaram, que não começaram a copiar alguém para tentar ser aceito.

Se o objetivo é aceitação, acho que é o incentivo errado. Eu quero que os artistas sejam motivados pelo que eles querem fazer, e isso significa que você tem que colocar as vendas às vezes e manter o foco, e é muito difícil não se distrair e ser tentado pela ideia de ‘você poderia ser o próximo fulano ou ciclano’. Pode ser um processo muito doloroso, lutar contra isso e quebrar isso e ficar fiel a você mesmo, então este show tem como objetivo criar uma plataforma para esse tipo de artista.

Você não se considera uma mentora no programa – por que isso?

Fui atraída pela ideia de não desenhar tudo em um processo de monitoria. Eu gosto de monitorar, mas esse conceito em particular é mais sobre encontrar artistas que já se encontraram, que já passaram pelo processo e se mantiveram fiéis a quem são. Estou aqui para dizer ‘Bravo, parabéns por ter vindo até aqui, encontrando-se, permanecendo fiel a si mesmo, você merece uma chance de ser reconhecido por isso.’

Os artistas [do Real Country] não necessariamente se desenvolveram como propagandistas, em um sentido exagerado. A melhor maneira de agradar uma multidão é chegar lá e gritar, certo, mas nem todo mundo tem potência! Emmylou Harris não grita, e Alison Krauss não grita, e Charley Pride não grita, então há apenas diferentes tipos de cantores que merecem ser defendidos. E é sobre isso que o Real Country é.

O programa Real Country estreou nesta terça-feira às 10 da noite, nos EUA.

COUNTRY LIVING

Publicado por Diego Brambilla

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